Ouvi falar de Osho pela primeira vez aos 20 anos de idade através de um amigo extasiado, em total estado de amor... bonito de ver. Mas naquele momento eu apenas sentia muito superficialmente aquele aroma, estava demasiadamente limitada por ideologias pra perceber a grandiosidade daquilo que estava acontecendo a meu amigo.

 

Dez anos depois, já completamente apaixonada, contaminada pelo imenso amor e devoção que meu companheiro Bhaskar trazia no coração por Osho (já era sannyasin de Osho há anos), fomos a Puna, Índia, com um grande sentimento de urgência.

 

Ao chegar no quarteirão onde fica a comunidade (“gateless gate”) senti de forma contundente o poderoso campo de energia – o Buddhafield. Em termos físicos, era como se ali estivesse ligado um ar condicionado gigante, que mudava a temperatura, o ar, as moléculas...

Jornalistas, Bhaskar e eu fizemos contato com a assessoria de imprensa do ashram. Em Rajneeshpuram (comunidade nos EUA), Bhaskar já havia entrevistado Osho duas vezes, havia vivido lá por dois anos. Todas as portas se abriram e no dia seguinte eu já estaria fotogrando Osho quando saía do carro, chegando para o Darshan no Buddha Hall.

A primeira vez: ele saiu do carro com um sorriso... as mãos em Namaste, cumprimentando gentilmente a sannyasim que o esperava... e quando seus olhos passaram pelos meus...

não sei descrever! Não sei!

Osho entrou no Buddha Hall e eu discretamente atrás, indo buscar
o lugar aonde me sentaria e o seguiria fotografando. Ao fim daquele Darshan, Osho nos jogou em uma Gibberish (meditação onde falamos sons sem sentido) e de repente imagens frenéticas de pessoas amigas (e seus julgamentos desta outra realidade) e meus próprios condicionamentos começaram a passar como um filme acelerado em minha cabeça. Incrível, cada uma dessas imagens foi sendo vista e liberada, ali mesmo!

Nesse momento meu Ser pedia sannyas, quer dizer, pedia para ser sua discípula. E o mundo ficou imenso...

Durante um mês tive a oportunidade e o privilégio de fotografar Osho no lindo jardim de sua casa, caminhando no parque do ashram, no Buda Hall nos darshans diários...

Um dia fui fotografá-lo saindo de casa. Tudo como combinado previamente: nada de usar flash (os olhos de Osho...); ele sairia de casa (foto!) e entraria no carro para ir para o hall... e eu correria para chegar a tempo de fotografá-lo entrando no hall onde uma multidãoo esperava para mais um Darshan. Não mais que 100 metros de corrida.

O carro saiu, eu corri atrás. Na metade do caminho, o carro parou e Anando, secretária dele, saiu do carro e me disse que Osho falava que eu podia fotografá-lo ali mesmo.

Totalmente chapada, corri para o lado da janela em que ele estava e comecei a fotografar no escuro (“nada de flash!”). Neste momento, Osho me olhou delicadamente, tão delicadamente, e disse: You can use the light. Eu não falava nada de inglês mas entendi o que ele disse. Sarita, assessora de imprensa, repetia: “You can use the flash” e eu respondia sem inglês que o flash estava no hotel...

Osho sorria suavemente e repetia “You can use the light”

Eu fotografava… mas o que queria mesmo era atirar-me aos seus pés... Oh, God! Yahoo!

E isto se tornou um mantra que Osho deu pra mim... sei que posso usar a luz!

YOU CAN USE THE LIGHT

Anand Niranjana

Niranjana fotografou o mestre espiritual OSHO, em janeiro de 1989, no ashram de Poona (Índia). Nos jardins de sua casa, nas noites de darshan, no carro a caminho do Budha Hall, encontrou os olhos, os gestos e a graça de OSHO.

São cerca de 100 fotografias! Curta! 

 

Veja também entrevista de OSHO a Devam Bhaskar, 
publicada pela Folha de S. Paulo
 com algumas destas fotos.

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